Combustível

Vendido a até R$ 8,40 em Natal, diesel supera gasolina pela 1ª vez em 18 anos

Foto: Adriano Abreu

O preço do óleo diesel bateu um recorde histórico e superou a gasolina pela primeira vez em 18 anos, desde que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) começou a fazer a pesquisa semanal de preços nos postos, em 2004. Em Natal, o preço máximo encontrado no período entre 19 e 25 de junho foi de R$ 8,40 para o diesel S10, enquanto o preço médio ficou em R$ 8,268. Já a gasolina comum teve maior valor por R$ 7,90 e o preço médio bateu R$ 7,966 no mesmo período.

O aumento ocorre pela alta dos preços internacionais dos combustíveis e a disputa pelo barril do diesel no mercado internacional. Um dos motivos é a guerra no Leste Europeu. Segundo Ricardo Valério, presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-RN), o componente que pode explicar o crescimento dos preços é a lei da oferta e procura.

“Hoje os preços estão regidos pelo mercado internacional, e o diesel está ficando um bem mais escasso em função das próprias circunstâncias da guerra. Como o óleo diesel está em alta, o consumo continua alto em todo o mundo, provocando essa inflação de demanda”, explica o especialista. “Se a gente não seguir o atendimento da lei de mercado, vai ter um desabastecimento, porque hoje o mercado de distribuição no Brasil não é mais na mão da Petrobras, é lei de concorrência. Hoje, parte do diesel que entra no Brasil vem de importadores, e nenhum importador vai comprar um produto para vender mais barato e pagando os custos”, analisa.

No último dia 17, a Petrobras aplicou reajuste para os combustíveis nas suas refinarias. A gasolina subiu 5,18%, e o diesel teve reajuste de 14,26%. Nesta segunda-feira (27), o Conselho da estatal elegeu Caio Mário Paes de Andrade como novo presidente. O mandatário substitui José Mauro Coelho, que renunciou no dia 20 depois de ser pressionado pelo governo Jair Bolsonaro por causa da alta dos preços dos combustíveis. Para Valério, essa medida não é suficiente para barrar os aumentos. “Nós entendemos que política de preços se rege pelo mercado. Não acreditamos que por meio de canetada, decretos, vá fazer uma alteração de preço num mercado dinâmico como é o mercado de combustíveis”, afirma.

Embora o cenário seja de instabilidade no mercado, o economista não vê possibilidade da diferença entre o litro do diesel e da gasolina aumentar. “O que houve atualmente foi um realinhamento em função dos preços do óleo diesel que estavam muito defasados. Com esse realinhamento de preços que teve agora, eu acredito que gradualmente há uma tendência dos preços voltarem à normalidade, a gasolina voltar a ficar mais alta com o passar do tempo”, acredita.

De acordo com Fábio Queiroga, presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte, os aumentos trazem um impacto para as exportações do setor, como melão e melancia. “As atividades mecanizadas, em média, têm um peso na ordem de 15% sobre o custo de produção. E o combustível é o fator preponderante na composição de preço para atividade mecanizada. Pelo menos 70% do custo da atividade mecanizada equivale a hora/máquina. Então se hoje o custo de produção do melão está em média de R$ 50 mil por hectare, a atividade mecanizada equivale a R$ 7.500 por hectare”, analisa.

Segundo o empresário, cada subida do diesel causa um aumento de 10% nos custos de produção da área, que ele considera como implicação direta. Há ainda as consequências indiretas.

“Nós temos um custo de transporte da nossa fruta até o porto, tem o transporte da nossa fruta para Europa, que depende demais do petróleo. Isso ocasionou aumentos significativos do valor do frete, tanto rodoviário quanto frete marítimo”, diz. “Ano passado, nós pagamos em torno de cinco mil dólares por container. Esse ano, já estamos cobrando quase 10 mil dólares por container. Então é um aumento aí de quase 100% sobre custo do transporte da nossa fruta até o mercado europeu”.

De acordo com o presidente, 60% dos custos de produção do setor de fruticultura são com insumos. “A cada vez que aumenta o valor do combustível, aumenta o valor do transporte. E aí também tem impacto sobre o valor desses insumos”, afirma. Já com o transporte, o frete equivale a cerca de 30% do valor final do produto. “As negociações são feitas envolvendo o custo da fruta e o frete. O frete é pago pelo importador. Então como os fretes praticamente dobraram de preço, isso implica para o importador o aumento de suas despesas para aquisição da nossa fruta”, observa.

Tribuna do Norte


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