Coluna Letícia Marina

Com as próprias mãos, será essa a solução?

leticia mariaEstive pensando se realmente escreveria sobre esse assunto. A explicação para a hesitação é simples: Evito ligar a TV ao meio dia, principalmente nos noticiários, pois dentre as tantas coisas que a mídia vende, estão as desgraças. Bem, para pessoas com sensibilidade exacerbada (eu), torna-se bastante complicado se alimentar e permitir que os ouvidos atentem para as barbáries. No último sábado (03) aconteceu o que pode ocorrer a qualquer pessoa. Sabe-se que as redes sociais podem ser comparadas àquela famosa faca de dois gumes (o que pode te fazer bem, pode acarretar prejuízo simultaneamente). Uma página criada no Facebook voltada para denúncias na região de Guarujá publicou que havia uma suposta sequestradora de crianças na região e posteriormente publicou um retrato falado, o pontapé para a confusão. Segundo o site Estadão/ São Paulo: Fabiane foi amarrada, espancada e arrastada por mais de cem pessoas do bairro Morrinhos. O crime ocorreu por causa de um boato, espalhado pela internet, de que ela sequestrava crianças para fazer magia negra.

Há também depoimento de um primo da vítima que diz: Sábado passado, enquanto caminhava pelo bairro, Fabiane viu uma criança sozinha na rua. Além de mexer com a criança, ela teria chegado a dar uma banana para o menino — Fabiane havia feito compras instantes antes. Mas a mãe da criança viu a cena, e achou que a desconhecida seria a tal bruxa que assombrava a região, boato que havia sido espalhado pelo perfil do Facebook chamado “Guarujá Alerta”.

A fúria das pessoas que participaram do linchamento fez com que a bíblia que a dona de casa carregava na mão fosse visto como “um livro satânico”. “Eles falaram que era um ‘livro satânico’ e tentaram rasgar. Não viram que era uma bíblia. Fui eu quem tirou o livro do chão”, conta a dona de casa Carla Rosane Cunha Viana, de 47 anos, que testemunhou toda a ação. Ela aparece em um dos vídeos publicados na internet sobre o caso, pedindo para as pessoas pararem com as agressões, mas sendo ignorada. (Estadão/São Paulo)

Nesse momento a comida não mais desceu, a fome deixou de existir. Então me levantei da mesa e como uma pessoa forte (para quebrar o clichê de que o choro é para fracos), chorei, chorei inconsolavelmente de bruços sobre o travesseiro. Não quis pensar em nada. Na internet havia vídeos, todas as vezes que abria o Facebook alguém comentava algo, todos os canais falavam e isso passou a perseguir-me de maneira assustadora. Por isso não escrevi antes, eu tinha que estar firme, tinha que saber usar as palavras certas para horas erradas. A mente me levou à Lei do Talião, presentes no Código de Hamurabi em 1780 a.C., no reino da Babilônia, OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE. A pena seria referente ao crime (na época de acordo com a posição social), mas eu não quero me prender a isso, e sim fazer uma observação: Estamos em pleno século XXI, ano de 2014 e presenciar essa brutalidade animal causa reviravoltas no estômago. Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, não foi a primeira a sofrer (in)justiça pela sociedade, tampouco será a última. Que tipo de animais somos nós? Não somos os que pensamos? Pensar inclui: Informar, averiguar, constatar, pesquisar dentre tantos outros verbos. Certo, não somos privilegiados com a melhor educação, saúde, segurança e justiça do mundo, mas um pouco de humanidade não custa tanto.  E se custa ainda sai mais barato do que o preço de uma vida.

Atentem: UMA VIDA no Guarujá, outra em São Paulo, outra em Currais Novos… A multiplicação é diária, quantas mil cidades o Brasil tem? Quantas mil injustiças ocorrem?

Amarrados a postes, linchados, estuprados, confundidos, acusados sem fundamentos, presos injustamente. Quantos não pegam 10 ou mais anos de prisão por serem confundidos? Tempo para confundir, se enganar e conseguir desculpas para os problemas, todo mundo tem, mas para se informar melhor, falta.

O que resta disso tudo?
1 – Indignação
2 – Descréditos ao ser humano
3 – Uma família perdida.
4 – Vídeos de atrocidades e mortes pela internet.
5 – Filhos que precisam de amor demais para crescer em meio a vídeos e fotos da própria mãe sendo morta.
6 – A espera de justiça para quem colaborou no ato (Prenderam um, mas ele não fez sozinho).
7 – Remorso e impotência para quem tentou ajuda-la no momento.
8 – Revolta
9 – Perda de fé
10 – Um corpo que jaz morto dentro de gavetas num cemitério que fica entre um lixão  e um depósito de  contêineres.

Talvez muitos desses pontos nem façam sentido pra você, porque Graças a Deus, não é a sua mãe que está lá, morta injustamente.


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