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Alegando medo de ameaças, Jean Wyllys, do PSOL, desiste de mandato, deixa o Brasil, e diz que vai se dedicar à carreira acadêmica

Eleito pela terceira vez consecutiva deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, Jean Wyllys vai abrir mão do novo mandato.

Em entrevista exclusiva à Folha, o parlamentar, eleito com 24.295 votos, —que está fora do país, de férias— revelou que não pretende voltar ao Brasil e que vai se dedicar à carreira acadêmica.

Desde o assassinato da sua correligionária Marielle Franco, em março do ano passado, Wyllys vive sob escolta policial. Com a intensificação das ameaças de morte, comuns mesmo antes da morte da vereadora carioca, o deputado tomou a decisão de abandonar a vida pública.

“O [ex-presidente do Uruguai] Pepe Mujica, quando soube que eu estava ameaçado de morte, falou para mim: ‘Rapaz, se cuide. Os mártires não são heróis’. E é isso: eu não quero me sacrificar”, justifica.

De acordo com Wyllys, também pesaram em sua resolução de deixar o país as recentes informações de que familiares de um ex-PM suspeito de chefiar milícia investigada pela morte de Marielle trabalharam para o senador eleito Flávio Bolsonaro durante seu mandato como deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

“Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário”, afirma Wyllys. “O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim”, acrescenta.

Primeiro parlamentar assumidamente gay a encampar a agenda LGBT no Congresso Nacional, Wyllys se tornou um dos principais alvos de grupos conservadores, principalmente nas redes sociais. Ele também se diz “quebrado por dentro” em virtude de fake news disseminadas a seu respeito, mesmo tendo vencido pelo menos cinco processos por injúria, calúnia e difamação.

“A pena imposta, por exemplo, ao Alexandre Frota não repara o dano que ele produziu ao atribuir a mim um elogio da pedofilia. Eu vi minha reputação ser destruída por mentiras e eu, impotente, sem poder fazer nada. Isso se estendendo à minha família. As pessoas não têm ideia do que é ser alvo disso”, afirmou Wyllys.

Deputado federal eleito pelo PSL de São Paulo, Frota foi condenado em primeira instância na Justiça Federal, em dezembro do ano passado, a pagar uma indenização de R$ 295 mil por postar uma foto de Jean Wyllys acompanhada de uma declaração falsa: “A pedofilia é uma prática normal em diversas espécies de animal, anormal é o seu preconceito”.

Wyllys se ressente, sobretudo, da falta de liberdade no Brasil. “Como é que eu vou viver quatro anos da minha vida dentro de um carro blindado e sob escolta? Quatro anos da minha vida não podendo frequentar os lugares que eu frequento?”, questiona.

Também avisa que vai se desconectar das redes sociais temporariamente e que não pretende acompanhar a repercussão do seu anúncio.

“Essa não foi uma decisão fácil e implicou em muita dor, pois estou com isso também abrindo mão da proximidade da minha família, dos meus amigos queridos e das pessoas que gostam de mim e me queriam por perto”, explica.

Sobre o futuro, ele ainda não tem planos definidos. “Eu acho que vou até dizer que vou para Cuba”, ironiza.

Quando você decidiu abrir mão do mandato?

Eu já vinha pensando em abrir mão da vida pública desde que passei a viver sob escolta, quando aconteceu a execução da Marielle. Antes disso, havia ameaças de morte contra mim e, curiosamente, não havia contra ela. Nunca achei que as ameaças de morte contra mim pudessem acontecer de fato. Então, nunca solicitei escolta.

Mas, quando rolou a execução da Marielle, tive noção da gravidade. Além dessas ameaças de morte que vêm desses grupos de sicários, de assassinos de aluguel ligados a milícias, havia uma outra possibilidade: o atentado praticado por pessoas fanáticas religiosas que acreditavam na difamação sistemática que foi feita contra mim.

Você chegou a ser agredido?

Além dos xingamentos, tinha gente que me empurrava, mesmo com a presença dos seguranças ao meu lado. E a coisa foi se agravando por causa da campanha baseada em fake news. Eu não era candidato à Presidência da República, mas a principal fake news me envolvia —o kit gay. Foi uma fake news produzida em 2011 e atribuída a mim.

No dia em que ocorreu o eclipse lunar [27/07], aquele em que a lua ficou vermelha, eu não podia descer porque eu estava ameaçado. Só podia descer com a escolta e a escolta não estava lá. Uma coisa simples, um fenômeno no céu que eu não podia ver.

Nesse dia, tive uma crise de choro e falei: “eu vou largar tudo”. Não posso estar no meu país e não poder descer para ver um eclipse lunar sem ser insultado por pessoas que acham que sou pedófilo, que quero homossexualizar crianças.

Você cogitou a ideia de não se candidatar?

Não cheguei a pensar nisso porque estava no fluxo do trabalho. E não era uma questão só minha, envolvia o partido. Mas, quando já era candidato, pensei em abandonar a candidatura. Aí, durante a eleição aconteceu o atentado contra o presidente, esse atentado que está por ser explicado ainda, e isso atiçou ainda mais a violência contra mim nos espaços públicos.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) emitiu uma medida cautelar logo depois da eleição. O documento é claríssimo: é baseado em todas as denúncias que nós fizemos à Polícia Federal, no fato de que a Polícia Federal não avançou nas investigações sobre as ameaças contra mim. No fato de que a proteção era pífia.

A OEA deu um prazo para o Estado responder quais eram as providências que estava tomando em relação à minha proteção. A resposta foi a mais absurda possível.

O Estado não reconheceu que havia uma violência homofóbica no Brasil. Isso com quatro pessoas LGBTs ou mais tendo sido mortas durante o processo eleitoral, com o Moa do Katendê tendo sido assassinado na Bahia por causa do ambiente de violência política que se estabeleceu no Brasil.

A resposta do Estado à OEA foi dizer que eu estava seguro, tanto é que eu participei das eleições. É uma piada. Eu não via a hora de sair de férias porque queria sair do país. Porque estava me sentindo inseguro, mesmo com a escolta me acompanhando. Quando saí de férias, experimentei de novo uma vida em liberdade. Aí, tomei a decisão de não voltar.

Você se firmou como um dos principais adversários de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, a ponto de ter cuspido na cara dele durante a votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A eleição de Bolsonaro contribuiu para sua decisão de não assumir o novo mandato?

Não foi a eleição dele em si. Foi o nível de violência que aumentou após a eleição dele. Para se ter uma ideia, uma travesti teve o coração arrancado agora há pouco. E o cara [o assassino] botou uma imagem de uma santa no lugar.

Numa única semana, três casais de lésbicas foram atacados. Um deles foi executado. A violência contra LGBTs no Brasil tem crescido assustadoramente.

O [ex-presidente do Uruguai] Pepe Mujica, quando soube que eu estava ameaçado de morte, falou para mim: “Rapaz, se cuide. Os mártires não são heróis”. E é isso: eu não quero me sacrificar.

A violência contra mim foi banalizada de tal maneira que Marilia Castro Neves, desembargadora do Rio de Janeiro, sugeriu a minha execução num grupo de magistrados no Facebook. Ela disse que era a favor de uma execução profilática, mas que eu não valeria a bala que me mataria e o pano que limparia a lambança.

Na sequência, um dos magistrados falou que eu gostaria de ser executado de costas. E ela respondeu: “Não, porque a bala é fina”.

Veja a violência com homofobia dita por uma desembargadora do Rio de Janeiro. Como é que posso imaginar que vou estar seguro neste estado que eu represento, pelo qual me elegi?

Você é o principal porta-voz do movimento LGBT no Congresso. Num momento em que o debate em torno dessas pautas tende a se acirrar, como você se sente abrindo mão do mandato?

Para o futuro dessa causa, eu preciso estar vivo. Eu não quero ser mártir. Eu quero viver. Acho que essa violência política que se instalou no nosso país vai passar. Pode ser que no futuro eu retome isso, mas eu nem penso em retomar porque há tantas maneiras de lutar por essa causa que não passam pelo espaço da institucionalidade.

Você foi um dos primeiros políticos a usar intensamente a internet. Como você enxerga a atual atmosfera das redes sociais?

A diferença é que eu usava a internet para dar transparência ao meu trabalho, para ampliar os canais de comunicação e de democracia direta com a população. Nunca usei a internet para difamar ninguém, para caluniar ninguém.

Essa é a diferença para essas novas estrelas das redes sociais. Elas usam as redes sociais para a divulgação de fake news.

Há uma bancada inteira eleita com base em mentiras, inclusive contra mim. Eu venci processos contra umas cinco pessoas que me caluniaram. Só que esses processos não reparam o dano que isso causou na minha vida e na vida da minha família.

A pena imposta, por exemplo, ao Alexandre Frota não repara o dano que ele produziu ao atribuir a mim um elogio da pedofilia. Eu vi minha reputação ser destruída por mentiras e eu, impotente, sem poder fazer nada. Isso se estendendo à minha família. As pessoas não têm ideia do que é ser alvo disso.

Quais são seus planos? Para onde você vai?

Eu não vou falar onde estou. Eu acho que vou até dizer que vou para Cuba [ironiza]. Eu sou professor, dou aula. Eu escrevo, tenho um livro para terminar. Eu vou recompor minha vida. Eu vou estudar, quero fazer um doutorado.

Vou escolher um lugar onde eu possa fazer meu doutorado, que eu não pude fazer durante esses anos. Vou tocar minha vida dessa outra maneira.

Quando eu estiver refeito, quando eu achar que é a hora, eu volto, não necessariamente para esse lugar da representação política parlamentar, mas para a defesa da causa —isso eu nunca vou deixar de fazer.

Qual foi a reação do seu partido, o PSOL?

O partido reconhece que de fato eu sou um alvo e me deu apoio na minha decisão de não voltar. Reconhece que são graves as ameaças contra mim, que eu corro risco, que há uma vulnerabilidade maior pelo fato de eu ser identificado com a causa LGBT. Lamenta, claro, mas apoia minha decisão.

Você acha que a defesa muito enfática que você fez do mandato de Dilma Rousseff, e sobretudo do ex-presidente Lula, contribuiu para que esse clima de animosidade contra você crescesse?

Acho que sim. Acho que tudo acabou se misturando e eu fui convertido em um inimigo público para essas pessoas. Havia quem fizesse ameaça por conta desse ódio antipetista e havia quem quisesse me calar de fato. Tudo isso se misturou.

O PSOL reconhece essa vulnerabilidade. Mesmo os meus eleitores compreenderão isso. Milhares de pessoas não foram às ruas para protestar contra a execução da Marielle Franco à toa. Elas foram porque ficaram indignadas com a execução de uma mulher honesta, digna, uma parlamentar com um futuro brilhante que foi executada por uma rajada de metralhadora, parte dos tiros na cara dela.

Eu não quero ter esse fim. E para não ter esse fim eu não volto e não vou assumir o mandato. Não estou renunciando a nada porque sequer investi no mandato.

Você se arrepende de algo nesses oito anos como deputado federal?

Não me arrependo de nada. Eu acho que dei uma bela contribuição, que pode não ser reconhecida agora por causa das fake news, dos ataques e das mentiras, mas o espelho retrovisor pode mostrar de maneira clara como eu estive do lado certo o tempo inteiro.

A conquista do casamento civil igualitário foi uma conquista que dependeu muito da minha luta. Tenho muito orgulho do que fiz. Durante esses oito anos, enfrentei tudo isso com muita dignidade. Mas sou humano e cheguei ao meu limite.

E me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário [ex-PM suspeito de chefiar milícia que é investigada no caso Marielle]. O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim.

Qual é sua expectativa para o governo Jair Bolsonaro e qual deve ser o papel da oposição nos próximos quatro anos?

Não tenho nenhuma expectativa positiva em relação a esse governo. O nível de violência contra as minorias aumentou drasticamente desde que esse sujeito foi eleito. As suas relações pouco republicanas já vieram à tona —dele e de seus filhos. Então, não tenho boas expectativas.

A política econômica também não desenha um bom horizonte. O choque do neoliberalismo em um país desigual como o nosso não será bom. E acho que o Ministro da Justiça [Sérgio Moro] deve no mínimo prestar algum tipo de satisfação à população. Então, minhas perspectivas não são as melhores.

E acho que a saída para as esquerdas é a união. Mas, sinceramente, eu não quero mais opinar sobre isso porque estou abrindo mão do mandato justamente para não ter mais que opinar neste momento sobre essa questão. Quero cuidar de mim e me manter vivo.

Folha de São Paulo
Brasil » Notícias » Polêmica

POLÊMICA: Alexandre Garcia debocha de estupro de Jane Fonda: “E eu com isso?”

Alexandre Garcia está mesmo empenhado em garantir polêmicas na web. O jornalista da Globo, que já foi criticado por fazer piada com o termo ‘feminicídio’, agora voltou ao centro da revolta dos internautas com um assunto ainda mais doloroso: a revelação de estupro sofrido pela atriz Jane Fonda, de 79 anos.

Em seu Twitter, Garcia comentou o assunto, fazendo pouco caso. “E eu com isso?”, escreveu ele no post em que compartilhava o link da notícia.

Logo que o comentário foi feito, muitos internautas criticaram a postura do jornalista. “Sou estudante de jornalismo e tenho orgulho de ter o senhor como exemplo daquilo que não quero me tornar”, escreveu um usuário do microblog, segundo o NE10.

Em triste relato, Jane Fonda revelou que foi estuprada ainda criança e, jovem, chegou a perder o emprego por não aceitar transar com o chefe. A atriz falou ainda sobre o suicídio da mãe, que também sofreu abusos sexuais na infância.

Polêmica

Robinson, após polêmica sobre Paula Fernandes: “Ostentação está longe dos meus hábitos”

A polêmica presença da cantora sertaneja Paula Fernandes no casamento da filha do governador Robinson Faria, Janine, realizado neste fim de semana em Pipa, causou inúmeras insinuações contra o atual chefe do executivo estadual.

Diante de tantas informações publicadas na web, uma em especial atingiu bravamente o governador: a do blogueiro Bruno Barreto, que disse em sua página que a presença da cantora na festa não foi cortesia, mas que houve um cachê alto a ser pago por isso.

Inconformado, Robinson emitiu nota oficial direcionada ao blogueiro. Em suma, descaracterizou a suposta “ostentação” apontada pelo comunicador diante do casamento da sua filha, reafirmando que a presença dela, de fato, não passou de uma participação normal, como a de qualquer outro convidado. Paula é amiga pessoal da irmã do noivo. “Ostentação está longe dos meus hábitos”, frisou.

Muito embora o casamento da filha do governador trate de uma questão particular dele e de sua família, foi percebido desde a chegada da cantora em Natal que a presença dela serviu como motivação de ataques gratuitos ao gestor do Estado.

“Da mesma forma que tenho empenhado todas as minhas energias em construir saídas para a crise financeira do Estado, também tenho, como pai, o direito de comemorar a felicidade de minha filha, e junto com o noivo e demais familiares, oferecermos uma festa de casamento como o fazem famílias em diversas culturas, no mundo todo. Esse direito tem de ser respeitado”, concluiu Robinson.

Agora RN
Justiça » Polêmica

Turma do STF abre precedente para descriminalizar aborto até terceiro mês

Luís Roberto Barroso, autor do voto vencedor.

Luís Roberto Barroso, autor do voto vencedor.

Decisão foi tomada após ministros analisarem um caso específico. Supremo revogou prisão preventiva de funcionários de clínica.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) revogou nesta terça-feira (29) a prisão preventiva de cinco médicos e funcionários de uma clínica de aborto. A decisão vale apenas para o caso específico, mas abre um precedente na mais alta Corte do país para a descriminalização (fim da prisão) para mulheres ou médicos que realizam o aborto.

Três dos cinco ministros que compõem o colegiado consideraram que a interrupção da gravidez até o terceiro mês de gestação não configura crime. Segundo o Código Penal, a mulher que aborta está sujeita a prisão de um a três anos; já o médico pode ficar preso por até 4 anos.

A maioria dos ministros da Primeira Turma, contudo, considerou que essa punição viola vários direitos da mulher previstos na Constituição: a autonomia; os direitos sexuais e reprodutivos; a integridade física e psíquica; e a igualdade em relação ao homem.

“Como pode o Estado – isto é, um delegado de polícia, um promotor de justiça ou um juiz de direito – impor a uma mulher, nas semanas iniciais da gestação, que a leve a termo, como se tratasse de um útero a serviço da sociedade, e não de uma pessoa autônoma, no gozo de plena capacidade de ser, pensar e viver a própria vida?”, escreveu o ministro Luís Roberto Barroso, autor do voto vencedor.

Além desses fundamentos, o ministro também considerou o impacto da criminalização sobre mulheres pobres. “O tratamento como crime, dado pela lei penal brasileira, impede que estas mulheres, que não têm acesso a médicos e clínicas privadas, recorram ao sistema público de saúde para se submeterem aos procedimentos cabíveis. Como consequência, multiplicam-se os casos de automutilação, lesões graves e óbitos”, escreveu no voto.

Citando pesquisas internacionais, ele também considerou que punir com prisão não diminui o número de abortos, classificando como “duvidosa” a ideia de que criminalização protege a vida do nascituro. Além disso, disse que o Estado dispõe de outros meios para evitar a prática, como educação sexual, distribuição de contraceptivos e apoio à mulher que, embora queira ter filhos, enfrenta dificuldades para criar uma criança.

Por fim, entendeu que a prisão traz mais custos sociais que benefícios, levando-se em conta os problemas de saúde e mortes provocadas por métodos perigosos de realizar o aborto clandestino.

G1 RN
Polêmica » Saúde

Médico debocha de paciente na internet e é afastado de hospital

Divulgação

Divulgação

Um médico plantonista do Hospital Santa Rosa de Lima, em Serra Negra, São Paulo, foi afastado do trabalho depois de ter debochado de um paciente. Em uma foto publicada na rede social Facebook, Guilherme Capel Pasqua mostra um receituário médico com os dizeres “Não existe peleumonia e nem raôxis”.

O paciente que falou as palavras em questão foi o mecânico José Mauro de Oliveira Lima, de 42 anos, de acordo com o site G1. Ele estudou até o segundo ano do Ensino Fundamental e não pronuncia corretamente algumas palavras, segundo seu enteado, o eletricista Claudemir Thomaz Maciel da Silva, 25 anos, que o acompanhou na consulta.

Claudemir disse em entrevista ao G1 que o padrasto dele foi diagnosticado com pneumonia e que a reação do médico quando perguntado sobre o tratamento para “peleumonia” não foi nada profissional.

“Quando meu padrasto falou ‘pneumonia’ e ‘raios x’ de forma errada, ele deu risada. Na hora, não desconfiamos que ele iria debochar depois na internet. O que ele fez foi absurdo. O procurei e escrevi para ele na rede social que, independente de ele ser doutor, não existe faculdade para formar caráter. Assim que ele viu minha postagem, apagou a foto. Ele não quis conversar com a gente”, relatou ao G1.

G1
Esporte » Polêmica

Neymar se desculpa após dizer que ‘babacas’ falariam após eliminação

Reprodução

Reprodução

Após chegar ao Brasil, nesta terça-feira (14), Neymar se desculpou pelo desabafo que fez nas redes sociais depois da eliminação da seleção brasileira na Copa América Centenário.

O jogador disse que ficou chateado com a eliminação e revoltado com as “palavras que ouviu e leu dirigidas aquelas atletas”. Neymar ainda atacou a imprensa.

“Há uma minoria que também ‘se excede’ com o microfone ou a caneta em mãos, mas como disse, é uma minoria”, escreveu.

No post divulgado no domingo (12), o atacante do Barcelona, que passava férias nos EUA, disse que vai aparecer “um monte de babaca para falar merda, Foda-se. Faz parte, futebol é isso”.

Nos EUA, Neymar participou de alguns compromissos comerciais no país e chegou a ver a vitória do Golden State Warriors sobre o Cleveland Cavaliers no segundo jogo das finais da NBA.

Antes de postar a primeira mensagem, Neymar apareceu se divertindo em uma festa na piscina de um hotel em Las Vegas, no Estado norte-americano de Nevada.

Neymar ficou fora da Copa América Centenário após um acordo entre a CBF e o Barcelona, que optou por liberá-lo para disputar apenas os Jogos Olímpicos.

Abaixo, a íntegra da nova publicação de Neymar:

“Meus cinco minutos no Brasil foram suficientes para perceber que meu post/desabafo no Instagram tinha tido uma repercussão negativa, gigante por aqui. O que ouvi das pessoas que me receberam no aeroporto foi que eu ‘me excedi’… Admito… Sim, eu ‘me excedi. Pedir desculpas a todos os que se sentiram ofendidos é o mínimo que posso fazer.

Escrevi aquilo após o resultado do Brasil contra o Peru, e fiquei muito chateado com a eliminação e revoltado com as palavras que ouvi e li dirigidas aqueles atletas, afinal sou parte daquele grupo. Há uma minoria que também ‘se excede’ com o microfone ou a caneta em mãos, mas como disse, é uma minoria. Mirei em meia dúzia e acertei em milhares, milhões… Acabei de ler um artigo do Renato Rodrigues, da ESPN, com o título ‘Neymar expôs o ‘nós contra eles’, que não é bom para ninguém no futebol brasileiro’. Concordo com ele. Essa discussão não é boa para o nosso futebol e, sem querer, caí na armadilha. A camisa amarela é muito vitoriosa e para voltarmos a vencer precisamos estar juntos e principalmente nos respeitarmos e conhecermos as dificuldades uns dos outros. E no meu post faltei com o respeito com todos, jornalistas e fãs.

Agora é pedir desculpas e seguir em frente, aproveitar o restante de minhas férias e daqui a pouco começar a preparação para as Olimpíadas. É o nosso objetivo agora.”

Folha Press
Caicó » Polêmica » Saúde

Caicó: Após morte de criança, Junta Interventora afasta médico Francimar Gomes

Junta Interventora do Hospital do Seridó afastou médico Francimar Gomes.

Junta Interventora do Hospital do Seridó afastou médico Francimar Gomes.

O médico Francimar Gomes Farias, foi afastado de suas funções no Hospital do Seridó. A Junta Interventora, tomou a medida depois de receber denúncia da morte de uma criança por suposta negligência médica. A informação foi confirmada por Maria José Soares que pertence a Junta.

A criança que nasceu sem vida, filha do casal, Antônio Alysson de Araújo, de 21 anos, e Daniele Regis da Silva, de 32 anos, que moram no bairro Barra Nova em Caicó. Os dois foram ao Hospital do Seridó por volta das 22hs de domingo (17), depois do rompimento da bolsa da mãe que tinha 9 meses de gestação. Os relatos são do pai.

Ao chegar na unidade hospitalar, o pai contou que um outro médico estava de plantão. Este fez os procedimentos de recebimento e na segunda-feira, passou o plantão para o médico Francimar Gomes. O pai conta que por volta das 7h40min da manhã foi verificado que sua esposa estava com apenas 4 cm de dilatação e o médico determinou que os enfermeiros fizessem procedimento para aumentar a dilatação até 10cm, mas, o pai pediu que fosse feita cirurgia cesariana, porém não foi atendido.

O pai, Antônio Alisson, contou que mais tarde, já por volta das 09hs30min, chegou ao Hospital, uma familiar do médico Francimar Gomes e ele prontamente fez cirurgia que durou pouco tempo e a criança nasceu saldável. Revoltado, ele procurou a direção do Hospital e falou com a médica Verônica Alcântara, que atualmente é diretora clínica na unidade e ela chegou a falar com o médico. Por volta das 12h30min à criança (filho de Antônio Alisson) nasceu com falta de oxigênio. Logo tentaram vaga em um Unidade de Terapia Intensiva Neonatal em Natal, mas, não obtiveram êxito. Por volta das 17h15minutos a criança veio a óbito.

O pai, revoltado, procurou o Ministério Público para fazer denúncia do fato.

O corpo da criança foi sepultado em Caicó, nesta terça-feira (19).

Sidney Silva
Florânia » Polêmica » Saúde

Florânia: Médica cubana justifica caso envolvendo a criança que não foi atendida no Centro de Saúde

A médica cubana Ania Noda Rojas, usou sua rede social Facebook para justificar o caso.

A médica cubana Ania Noda Rojas, usou sua rede social Facebook para justificar o caso.

A médica cubana Ania Noda Rojas, usou sua rede social Facebook para justificar o caso envolvendo a criança que não foi atendida na manhã desta segunda-feira (18), no Centro de Saúde de Florânia. A denúncia foi feita pelo Agente de Saúde Adailton Judson Toscano em sua página no Facebook.

Confira a nota:

Boa tarde, quero explicar a todos os que criticam o meu trabalho; que vim Florânia/RN para trabalhar na medicina familiar; que minhas tarefas principais são a prevenção, e atenção primária, que o meu posto de trabalho deve ser em um PSF, as Consultas devem ser agenda dás anteriormente para as doenças crônicas transmissíveis e não transmissíveis, acompanhamento das gestantes, consulta de criança saudável; saúde mental, e alguma um gengiva relativa de uma febre, diarreia, mas desde que vim para esta cidade, por algum Problema, eles sempre têm falta de médico, e me colocam para trabalhar no centro de saúde para atender vivo todo o município, e excede as minhas capacidades físicas; humanas e profissionais para dar atenção que merece esta população, e para piorar, nunca têm uma enfermeira Para fazer a triagem de o q é urgência e o q não é, e assim aconteceu no dia de hoje, trabalhe sozinha para todo o município, quando tinham 18 fichas marcadas e as urgências esperando, eu mande a mãe do Criança com vomito para procurar a enfermeira responsável e quando a mande buscar para consultar o criança, ela tinha saído do centro e preferiu fazer toda esta história, de todas as formas, não tenho a obrigação de atender as urgências, não está dentro do meu contrato De trabalho, nem tenho que atender mais de 15 pacientes em uma manhã, apesar de tudo isso, há 2 anos atendendo de manhã e tarde, nunca falto; todas as emergências que ocorrem no município, e graças a isso É que foram salvas muitas vidas nesta cidade, hoje à tarde ocorreu um acidente e já quase terminava a minha consulta quando, deixe o que estava fazendo para parar o sangramento de um trauma de crânio aberto, com as mínimas condições de trabalho, com Calor; sem iluminação; sem instrumental, mas com a responsabilidade que tenho primeiro como ser humano e depois como profissional: salvar a vida, não preciso que vocês reconheçam o meu trabalho, é sabido para minha que ” o sol tem manchas e tem luz, os gratos Eles falam sobre as manchas e os ingratos da luz “. E tenho muito claro que não se trata de algo pessoal, mas sim de mensagem político, porque se referem à médica cubana, para danificar a imagem de nosso país, mas, se referiam a Dra. Ania, mas não importa, nossa medicina é reconhecida A nível mundial como a mais humana.

Tonny Washington
Polêmica » Trânsito

Mais da metade das capitais brasileiras já têm projetos de lei contra o Uber

Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

Esta quarta-feira será um dia de apreensão para a empresa Uber nos dois principais mercados que atua no Brasil. Vereadores de São Paulo votarão pela segunda vez um projeto de lei que veta o uso do aplicativo de mesmo nome na cidade. E espera-se que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, sancione um projeto semelhante já aprovado pelo Legislativo municipal.

Mas não é só nestas cidades que o serviço enfrenta contratempos. Um levantamento da BBC Brasil mostra que já existem projetos de lei que buscam banir o Uber em 15 capitais e no Distrito Federal.

Hoje, a empresa está presente em apenas quatro capitais – Belo Horizonte e Brasília, além de Rio e São Paulo. Em todas, existem projetos de lei contra o serviço prestado pelo Uber.

Mas vereadores de outras 13 capitais brasileiras – Vitória, Maceió, Curitiba, Salvador, Recife, Manaus, Goiânia, Cuiabá, Aracaju, Natal, João Pessoa e Campo Grande – decidiram se antecipar a uma eventual chegada da empresa.

Nestas cidades, foram apresentados projetos de lei que vetam o transporte individual e remunerado de passageiros por prestadores que não sejam autorizados pelo poder público, ou seja, ratifica a exclusividade desta atividade aos taxistas.

Segundo a lei federal nº 12.468 de 2011, é privativa destes profissionais “a utilização de veículo automotor, próprio ou de terceiros, para o transporte público individual remunerado de passageiros, cuja capacidade será de, no máximo, sete passageiros”.

“O sindicato de taxistas de Maceió nos procurou, fomos atrás de informações e chegamos à conclusão que era uma proposta justa. Já temos uma frota suficiente e que em momentos fica ociosa, quando não estamos na alta temporada do turismo. A chegada do Uber poderia ser um desastre”, diz o vereador Galba Netto (PMDB), autor do projeto de lei na capital alagoana.

“Estamos evitando um problema no futuro, porque a chegada do Uber poderia ser um desastre.”

Ainda existem projetos de lei que inviabilizam a operação da empresa em ao menos outras nove cidades.

É o caso de Campinas, São José do Rio Preto, Americana, Barueri e Cotia, no Estado de São Paulo, Teófilo Otoni, em Minas Gerais, Jaboatão dos Guararapes e São Lourenço da Mata, em Pernambuco, e Serra, no Espírito Santo.

E o número de locais onde o Uber não poderá operar pode crescer exponencialmente em pouco tempo. Deputados estaduais do Espírito Santo, Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso e Bahia já apresentaram projetos para isso em suas respectivas Assembleias Legislativas.

Procurado pela BBC Brasil, o Uber diz em nota que, por motivação política, legisladores querem proibir uma inovação “em nome da proteção de interesses corporativos”.

A empresa também afirma que o serviço prestado por ela é “completamente legal no Brasil” e amparado pela lei federal 12.587 de 2012, que delimita os serviços de transporte, “fazendo uma separação entre serviço público individual (o táxi) e o serviço privado individual de transporte (que é o que os motoristas parceiros do Uber fazem)”.

“Toda legislação existente hoje é voltada para o serviço de táxi, e não existe ainda uma regulação do serviço individual de transporte. Um serviço sem regulação não é ilegal, pelo contrário”, afirma a empresa.

“Em alguns locais, o Legislativo demonstrou ter uma grande vontade de banir a tecnologia em vez de abrir um debate amplo com a sociedade para verificar como é possível usar esse tipo de novidade para melhorar a vida das pessoas e da cidade.”

‘Ilegalidade’

Desde sua chegada ao país, em maio de 2014, o Uber vem gerando polêmica em diversas cidades e provocando protestos de taxistas.

No Rio de Janeiro, o projeto de lei 122/2015 já foi aprovado em duas votações pelos vereadores e aguarda desde o dia 25 a sanção ou veto do prefeito. O prazo de 15 dias para a apreciação de Paes se esgota nesta quarta-feira.

Na semana passada, ele disse que provavelmente dará seu aval à nova lei: “O nosso caminho é o da sanção. A não ser que tenha alguma irregularidade ou inconstitucionalidade”.

Caso isso ocorra de fato, o Rio, primeira cidade onde o serviço foi lançado no país, será a primeira a proibi-lo.

Em São Paulo, os vereadores apreciam nesta quarta-feira o projeto de lei 349/14, que foi aprovado na primeira votação, no fim de junho, por 48 votos a favor e 1 contra.

“A aprovação do projeto acabará com uma ilegalidade de uma empresa que, em vez de dialogar com o poder público, decidiu passar por cima de todo mundo. Isso servirá de exemplo para o resto do país”, diz o vereador Adilson Amadeu (PTB), autor da proposta.

“Também não existe qualquer possibilidade de regulamentarmos esta atividade. Qual é a necessidade de ter mais carros na praça se já temos condição de atender à população?”

Ser for aprovado pelos vereadores paulistanos, o projeto seguirá para o prefeito Fernando Haddad. O secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, disse em entrevista coletiva em junho que o serviço é “clandestino”.

Até mesmo a presidente Dilma Rousseff se pronunciou sobre a questão em uma coletiva de imprensa no início deste mês, quando disse se tratar de uma questão complexa, pois o Uber “tira emprego de muitas pessoas”.

“Depende de regulamentação de cada Estado, porque não é a União que decide isso. Ele tira taxista do emprego. Acho que tem que ter posição ponderada”, afirmou a presidente.

‘Questão complexa’

A declaração de Dilma ecoa as reclamações de taxistas, para quem o serviço representa uma concorrência desleal. Nas cidades onde o Uber já atua, os profissionais da categoria dizem que o número de corridas diárias caiu desde a chegada do serviço.

Também criticam o fato dos motoristas do Uber não precisarem de alvará para atuar ou terem de seguir as regras aplicadas a taxistas.

Segundo a empresa, equiparar o serviço de seus motoristas parceiros ao de taxistas é um “erro”.

“O táxi tem a prerrogativa de atender um usuário em qualquer circunstância. No caso da Uber, o único modo de se conseguir um carro é pelo aplicativo, sendo que é preciso estar cadastrado, com seus dados e cartão de crédito. São serviços diferentes e complementares.”

A posição da companhia ganhou força com a publicação de um estudo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, autarquia vinculada ao Ministério da Justiça, para o qual não existem “elementos econômicos que justifiquem a proibição de novos prestadores de serviço de transporte individual”.

“O mercado de caronas pagas é operacionalizado por meio de aplicativos de smartphones, logo tende a operar exclusivamente no segmento de transporte individual porta a porta, ou seja, não concorre com os espaços dedicados aos pontos de táxi e nem circula pelas vias públicas em busca de passageiros”, diz o economista-chefe do órgão, Luiz Alberto Esteves, que assina o estudo.

“Para além disso, elementos econômicos sugerem que, sob uma ótica concorrencial e do consumidor, a atuação de novos agentes tende a ser positiva.”

O Uber cita o exemplo dos Estados Unidos. Segundo a companhia, em janeiro de 2014, existia apenas uma regulação para empresas de mobilidade urbana compartilhada, na Califórnia.

“Hoje, já existem mais de 50 jurisdições nos EUA que têm regulações deste tipo, sem contar Cidade do México e Puebla no México, Calcutá e Telangana na Índia; Filipinas, o primeiro país com uma regulação federal e também Toronto, no Canadá.”

Quando perguntada se poderá questionar na Justiça a validade dos projetos de lei atualmente em discussão, a empresa diz que não quer “especular” quanto a isso neste momento.

Mas afirma que “qualquer projeto de lei que vise limitar a liberdade de empresa no Brasil e que vise proibir a tecnologia é um ato anulável por definição” e que estas “garantias constitucionais devem ser asseguradas”.

A empresa diz que cabe ao Judiciário “analisar mais detidamente questões complexas e disrupitivas como as que envolvem o modelo de negócios da Uber, e esclarecer eventuais dúvidas a respeito da legitimidade das leis que enderecem esses assuntos”.

“Continuaremos a trabalhar junto ao poder público para demonstrar os benefícios e buscar uma legislação que fomente a inovação e o empreendedorismo.”

 

UOL
Polêmica » Religião » Saúde

Igreja Universal é condenada a indenizar em R$ 300 mil fiel no RS por prometer cura do HIV

Foto: Edu Andrade/Folhapress

Foto: Edu Andrade/Folhapress

A Igreja Universal do Reino de Deus terá de pagar uma indenização de R$ 300 mil a um ex-fiel que abandonou o tratamento contra a Aids, contaminou a mulher e chegou à beira da morte, pesando 40 quilos.

Para a Justiça, o gaúcho de 36 anos foi convencido de que se livraria do HIV só com a fé em Deus –e doações à igreja.

“Os pastores diziam que a medicina estava desatualizada, levavam testemunhos de gente que se curou de câncer, Aids. Quando as pessoas não aceitam doar seus bens, dizem que tem um espírito ruim que não está permitindo”, conta Lucas (nome fictício).

Tudo começou em 2005, quando ele descobriu que tinha o vírus e iniciou o tratamento. Angustiado, começou a frequentar os cultos da Universal por indicação de um vizinho. Quatro anos depois, em setembro de 2009, parou de tomar os remédios e passou a fazer sexo sem camisinha com sua mulher à época.

A decisão, diz, foi um “sacrifício” sugerido por um pastor em nome da fé para alcançar a cura. Mas nem isso nem a doação de um televisor e um computador à igreja foram suficientes para livrá-lo da doença e impedir a contaminação da mulher.

Dois meses depois de interromper o tratamento, Lucas foi internado com pneumonia grave. Ficou em coma induzido por 40 dias e saiu do hospital após quatro meses, com metade do peso normal.

A decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul para que a Universal indenize Lucas por danos morais saiu no último dia 26. A igreja ainda pode recorrer ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).

“Não há nada contra a fé, mas contra a forma abusiva de induzir as pessoas a abandonar o tratamento em nome da fé”, disse à Folha o desembargador Eugênio Facchin Neto, relator do caso.

Procurada, a Universal negou à reportagem que tenha pedido para Lucas abandonar o tratamento, mas reiterou que há uma “vasta bibliografia científica” que sustenta a “afirmação bíblica de que a fé auxilia –e muito– na cura de doenças”.

ABUSO

No acórdão, o juiz escreveu que a responsabilidade da Universal “reside no fato de ter se aproveitado da extrema fragilidade e vulnerabilidade em que se encontrava o autor, para não só obter dele vantagens materiais, mas também abusar da confiança que ele, em tal estado, depositava nos ‘mensageiros’”.

Lucas diz que foi vítima de um golpe. “Inúmeras pessoas são enganadas todos os anos por essa igreja. Usam gente fragilizada, com filho no hospital, à beira da falência, para arrecadar os bens.”

Ele conta que chegou a participar de uma “fogueira santa”, ritual para eliminar todos os tipos de males e que arrecada dinheiro e bens em nome de Deus.

Segundo o advogado dele, Guilherme Pavanello Ortiz, a psicóloga que acompanha Lucas atendeu mais de 50 pessoas que abandonaram o tratamento para Aids por orientação da Universal. “Infelizmente, não é o único caso.”

Durante o processo, a Universal chamou três testemunhas que disseram que tinham o vírus HIV e que foram curadas depois de participar dos cultos da igreja.

“Lá eu soube que as pessoas que usassem a fé seriam curadas, como muitos foram. E lá eu obtive a cura”, afirmou uma delas no processo.

OUTRO LADO

A Igreja Universal do Reino de Deus declarou, durante o processo judicial, que Lucas deixou de tomar os remédios para a sua doença “voluntariamente, sem coação alguma”.

Disse também que os pastores “apenas pregam a possibilidade de cura das enfermidades, de acordo com as orientações bíblicas, mas não prometem cura”.

Em nota enviada à reportagem, a igreja afirma que Lucas “já era portador do vírus HIV quando foi acolhido pela Universal e que laudos e depoimentos presentes no processo atestam que, já naquela época, ele não se submetia aos tratamentos terapêuticos na forma indicada”.

A igreja diz ainda, no documento, que “sempre destaca a importância da rigorosa observância dos tratamentos médicos prescritos”.

Segundo a Universal, o “próprio relator do recurso no tribunal reconhece que não há prova da suposta orientação para interromper o tratamento”, porque isso “é mentira”.

À Folha o magistrado do Rio Grande do Sul informou que baseou sua decisão em um “conjunto de evidências”, que inclui testemunhas, vídeos de cultos com depoimentos de cura e pedidos de doações, reportagens sobre extorsões de bens por pastores e até uma “aula” em que o bispo Edir Macedo ensina outros pastores a arrecadar dinheiro dos fiéis.

A Universal também alega que “há vasta bibliografia científica sustentado a afirmação bíblica de que a fé auxilia –e muito– na cura de doenças”.

A igreja afirmou ainda que considera “absurda” a alegação de que estimulou Lucas a não usar preservativo em suas relações.

 

Folha Press

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