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Titular da Sesed e da Degepol pedem demissão em meio a crise na segurança

Caio Bezerra e Claiton Pinho, ex-secretário da Sesed e ex-titular da Degepol.

A crise no setor de segurança pública no Rio Grande do Norte ganhou um novo capítulo ontem segunda-feira 17. Em meio a uma forte onda de violência, que já resultou em mais de 700 homicídios apenas nos primeiros meses deste ano, o titular da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed), Caio Bezerra, e o delegado geral de Polícia Civil, Claiton Pinho, pediram exoneração de seus cargos.

Em nota divulgada à imprensa, o secretário, que passou seis meses no cargo, alegou “razões de ordem estritamente particular” para deixar a pasta. Ao agradecer a confiança do governador Robinson Faria (PSD), Caio registrou que “as forças de segurança pública trabalham além do limite da exaustão física para combater a violência” no estado.

O titular da Sesed fez um balanço positivo de sua atuação à frente da secretaria e do período que ele exerceu o cargo de secretário-adjunto. Entre as ações realizadas, Caio enalteceu a elaboração do Plano Estratégico de Segurança.

Caio Bezerra é o terceiro secretário de Segurança Pública e Defesa Social a deixar o cargo no Governo Robinson. Os antecessores foram Kalina Leite e Ronaldo Lundgren.

O delegado Claiton Pinho, que deixou a Delegacia-Geral de Polícia (Degepol), afirmou, por sua vez, que é natural que ele deixe o cargo acompanhando o titular da Sesed. Em nota, Claiton assinalou que os noves meses que ele passou à frente do órgão foram de “esforços imensos”.

O fato é que a saída do secretário de Segurança Pública e do titular da Degepol, que representam parte da cúpula de segurança do Governo do Estado, ao lado do Comando da Polícia Militar e da Secretaria de Justiça e Cidadania, acontece em meio a uma crise sem precedentes.

Segundo dados do Observatório da Violência Letal Intencional do RN (Obvio), instituto que organiza dados de crimes no estado, até o último domingo 16, foram registrados 726 mortes provocadas por ações violentas. O número contempla homicídios, latrocínios e lesões corporais graves provocadas por violência e que resultaram em morte. Apenas no último feriado da Semana Santa, registra o órgão, houve 28 homicídios em todo o estado.

O número de casos de violência assusta sobretudo se comparado aos mesmos índices de 2016 – que já eram altos. No mesmo período do ano passado, foram 549 homicídios. Os dados deste ano representam um aumento de mais de 32% em relação a um ano atrás. Se comparado aos números do mesmo período de 2015, o índice de 2017 alcança elevação de mais de 47%.

Os números do Obvio apontam, ainda, que a região Leste concentra a maior parte de ocorrências de casos de violência no estado. No último final de semana, por exemplo, 15 dos 28 homicídios ocorreram nesta área. Metade destes casos aconteceu em Natal.

Ainda sobre números indigestos da violência, há duas semanas a ONG mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal destacou que Natal é a cidade mais violenta do Brasil. Os dados, referentes ao ano de 2016, mostram que a capital do estado registrou 69,56 homicídios para cada 100 mil habitantes no período.

O Governo do Estado esclareceu depois que, ao efetuar o levantamento, a ONG levou em consideração dados de violência não só da capital do estado, mas também de cidades vizinhas, como as integrantes da Região Metropolitana de Natal.

Além do índice de homicídios, outros números de insegurança merecem destaque nestes primeiros meses do ano. Prática recorrente dos bandidos, o ataque a agências bancárias já aconteceu em dezesseis municípios potiguares apenas em 2017. Foram 21 ocorrências neste sentido.

Além disso, o número de roubos e assaltos também cresceu no estado nos últimos meses. Segundo dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública, a média de roubos de carros e motos chegou a mais de 20 veículos por dia no estado. No ano de 2016 inteiro, foram registrados 7.346 crimes desta natureza.

Oficialmente, o Governo do Estado atribui o aumento nos índices de criminalidade à intensificação do conflito entre facções criminosas que comandam o tráfico de drogas no estado. A disputa culminou, no início do ano, em uma violenta rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, e estimulou também tensão em outras unidades prisionais do estado.

Naquela oportunidade, além dos conflitos dentro dos presídios, houve ataques a ônibus e conflito nas ruas da capital. No maior presídio do estado, Alcaçuz, foram 26 detentos mortos no conflito que envolveu facções rivais. Os números mostram, contudo, que o conflito ganhou as ruas e tem números muito mais alarmantes.


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