Eleições 2018

Proporção de jovens entre eleitores cai para 0,58%

A cada eleição a juventude demonstra mais desinteresse pela política no Rio Grande do Norte. O primeiro sinal é a diminuição do número de eleitores com idade entre 16 e 17 anos, que deixam de fazer inscrição eleitoral. Para as eleições deste ano, são 37.481 jovens aptos aptos ao voto, o correspondente a 0,58% dos 2,37 milhões de eleitores potiguares.

Em 1992, primeiro ano com dados disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o número de eleitores dentro daquela faixa etária (o voto facultativo para eleitores com mais de 16 anos e menos de 18 foi instituído na Constituição Federal de 1988), havia 73.337 adolescentes eleitores no Estado, o equivalente a 5,01% do eleitorado  norte-riograndense, que à época era de 1.465.174 pessoas.

Em 2000, o número de eleitores de 16-17 anos subiu para 77.767 adolescentes ou 4,32% dos mais de 1,8 milhão de eleitores. Nas últimas eleições esse número caiu quase pela metade, chegou a 37.477 eleitores ou a apenas 0,56% do total de eleitores do RN, que era de 2,327 milhões.

Ano de eleição municipal, esse fato deve ter contribuído para o maior interesse dos jovens na política, porque o número de eleitores dessa faixa etária voltou a crescer, indo a 55.092 eleitores ou 0,67% de um contingente eleitoral de 2,4 milhões de pessoas no Rio Grande do Norte.

Mas, este ano, segundo dados de julho do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de eleitores entre 16-17 anos voltou a cair, passando a 37.481 eleitores (0,58%) no universo de 2.373 milhões de eleitores.

Professor titular do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o cientista político Homero de Oliveira Costa disse que hoje “há uma enorme despolitização e descrença nas instituições entre os jovens por consequências variáveis”.

Para ele, “o dado relevante é que os jovens não são estimulados à participação política”, mas ele também afirma que “tem uma crise mais geral do sistema partidário e eleitoral, que não é específico do Brasil, porque também não há alto índice de participação de jovens  na política também em países com democracias representativas com o voto obrigatório, pois em geral o percentual de votantes são pessoas demais idade”.

Homero Costa cita, inclusive, o livro do sociólogo espanhol Manuel Castells, que acabou de ler, sobre “Ruptura – a crise da democracia liberal”, que trata da diminuição da participação eleitoral e dos índices de confiança e da crença nas instituições do jovens na Europa.

Costa também chama a atenção para o fato de que no Rio Grande do Norte o descrédito da classe política, ficou patente nas nas eleições de 2014, quando a quantidade de votos nulos e abstenção dos eleitores somados foi maior do que os votos dados ao então candidato e atual governador do Estado, Robinson Faria (PSD), que obteve 877.268 votos no segundo turno contra 1.125.517 somados da abstenção e votos brancos e nulos.

Segundo Costa, nas eleições  municipais de 2016, em 22 das 27 capitais o número de eleitores que deixaram de comparecer às urnas ou votaram em branco ou invalidaram o voto, foi maior do que quem ficou em primeiro e segundo lugar na eleição para prefeito. “Em 11 capitais o somatório da abstenção, votos brancos e anulados foi mais do que a votação de quem ficou em primeiro lugar, inclusive São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte”, reforçou o sociólogo.

Para Costa, “nada indica que as eleições de outubro vá modificar esses dados”, pois são índices que vêm desde as eleições pós-ditadura. “O desdobramento da Operação Lava Jato tem implicações nessa descrença, que atingiu a todos os partidos. E no Brasil, apesar do voto obrigatório esses índices são muitos altos”, comentou.

Na avaliação do professor Homero Costa, isso expressa descrença, porque no país, “não tem um nível de educação política na escola, não tem na família, os partidos não se preocupam em relação a isso,  os partidos só se ocupam de às vésperas das eleições mobilizar seu eleitorado”.

No contexto geral, Costa considera que essa descrença vem da própria forma como se veicula e também do exercício de muitos parlamentares contribuem para isso, que não é especifico do Brasil, há descrença generalizada nos partidos e nos parlamentos, que não são representativos da população até mesmo na Europa, exemplificou ele.

Manuel Castells diz, ressalta Costa, que a “a ruptura mais importante na democracia é entre governantes e governados, há abismo entre governantes e governados e isso vai se expressar na participação eleitoral, as pessoas não se sentem estimuladas, mas no Brasil como votar é obrigado, leva ainda a estimular uma participação maior”.

Eleitores tiveram uma elevação de escolaridade

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que os índices de eleitores de baixa escolaridade no Rio Grande do Norte tiveram uma queda, mesmo inexpressiva. Nas eleições de 2014, quando havia 2,327 milhões de eleitores, o percentual de analfabetos e eleitores que tinham o ensino fundamental incompleto caiu de 37,56% para 32,63% agora em 2018, quando o número de eleitores no Estado chegou a 2,373 milhões de pessoas aptas ao voto.

As estatísticas do TSE também apontam que aumentou o percentual de eleitores que concluíram o ensino superior ou têm curso superior incompleto. O índice que era de 10,29% do eleitorado aumentou para 14,19%.

Ainda houve um crescimento do percentual de eleitores que terminaram o ensino médio – que foi de 16,94%  em 2014 para 24% do total de eleitores em 2018.

Entre os eleitores que “lê e escreve” houve uma queda de 16,94% para 13,28%, indicam as estatísticas do TSE.

Eleitores no RN

1992      1.465.174
2000      1.803.825
2014      2.327.451
2016      2.401.870
2018     2.373.620

Eleitores jovens (16 a 18 anos) e percentual

1992 – 73.337     (5,01%)
2000 – 77.767     (4,32%)
2014 – 37.477     (0,56%)
2016 – 55.092     (0,67%)
2018 – 37.481     (0,58%)

Fonte: Tribuna do Norte


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