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Egito quer comprar cabra Boer do RN e pagar à vista em dólar

A cabra Boer atinge a puberdade precocemente, geralmente cerca de 6 meses de idade e é considerado um animal de baixa manutenção, sendo que a fêmea possui leite suficiente para alimentar seu filhote. Foto: José Aldenir / Agora RN

O Egito, que a exemplo de todo o Oriente Médio tem uma relação milenar com cabras e ovelhas, quer pagar à vista em dólar por cada exemplar da raça Boer, entre seis a 18 meses de idade, que puder conseguir no Nordeste, de longe a região que mais cria caprinos e ovinos no Brasil.

Seiscentos dólares por uma fêmea Pura de Origem; US$ 1,5 mil por um reprodutor PO e US$ 300 pelo chamado PA (Puro por Avaliação), desde que tenha registro junto à Associação Brasileira de Caprinos e Ovinos (Ancoc).

Nesta quarta-feira, o presidente da Associação Norte-rio-grandense de Caprinos e Ovinos, Alexandre Confessor, foi convocado às pressas pelo presidente da entidade nacional, em Recife, Arlindo Ivo, a ajudar na mobilização de produtores para atender à demanda do governo egípcio.

“A demanda inicial era por 65 mil cabeças, mas com não temos tudo isso no Brasil, caiu para 15 mil e agora estamos correndo para atender a um embarque mais modesto de 3.500 exemplares de Boer por ano, mas tenho certeza que poderemos ampliar esse número rapidamente”, afirmou Confessor ao Agora RN.

Ele explica que essa janela de oportunidade se abriu com o fechamento sanitário da África do Sul, um dos maiores criadores mundiais de caprinos e ovinos, que atravessa problemas com surtos de febre aftosa e scrapie, uma doença neurodegenerativa fatal que acomete o sistema nervoso dos animais.

Sem caprifeiras no ano passado por causa da pandemia do novo coronavírus, os produtores não puderam se capitalizar e a oportunidade de fazer dinheiro com exemplares vivos podem, segundo Confessor, oxigenar as finanças do setor.

Ele explica que a Ancoc poderá realizar a certificação dos animais aptos e que o valor pago em dólar equipara- -se ou mesmo supera ao realizado em leilões locais, com a vantagem de ser à vista e não em 24 parcelas, com toda a possibilidade de calote que isso implicava.

“É também a possibilidade de usarmos um contrato como esse para reorganizar a nossa cadeia produtiva, retomando e ampliando negócios a partir de um novo nicho, no caso, com o Oriente Médio”, explica Confessor.

Segundo ele, há muitos produtores de Boer que não certificaram seus animais, mas podem resolver isso desde que um técnico da Ancoc examine o exemplar e realize o atestado. Uma vez feito isso, é só esperar o embarque do caminhão para o Recife, de onde a encomenda seguirá por navio para o Egito, com todo o acompanhamento profissional que essa operação exige.

“Levantei a informação, só um embarque desse entre Recife e o porto de Alexandria, no Egito, custa a bagatela de US$ 100 mil”, diz o presidente da Ancoc.

Essa possibilidade de negócios foi aberta em setembro de 2019 durante uma missão comercial da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ao Oriente Médio, quando participou de um seminário na Federação das Câmaras Egípcias de Comércio e defendeu a diversificação da pauta comercial agrícola entre Brasil e Egito.

Na ocasião, a ministra reuniu-se com o ministro da Agricultura e Recuperação de Terras, Ezz el-Din Abu Steit, para tratar do processo de importação de uva e alho egípcios e o envio de ovinos e caprinos para o Egito para beneficiar criadores do Nordeste brasileiro.

Em 2018, as exportações agropecuárias do Brasil para 22 países árabes e integrantes da Organização para a Cooperação Islâmica, totalizando 55 países, somaram US$ 16,13 bilhões ou 19% do total das vendas externas do agro brasileiro, um porcentual superior ao que foi exportado para a União Européia (16%).

Segundo os dados mais recentes, das 9.592.079 cabeças de ovinos e caprinos do Brasil, 93% do rebanho está no Nordeste, com 8.944.461 animais. O Rio Grande do Norte tem 4,35% do total do rebanho caprino nacional, ou seja, 405.983 caprinos, o que equivale ao sexto maior rebanho do país.

O QUE O BOER TEM

Raça que anda por aqui desde o fim dos anos 80, o Boer era caro demais para ser disseminado rapidamente entre os produtores. Carne com baixo percentual de gordura (menos de 3%), colesterol, gordura saturada e calorias, é muito macia, saborosa e suculenta quando comparada às outras raças de caprinos.

A cabra Boer atinge a puberdade precocemente, geralmente cerca de 6 meses de idade e é considerado um animal de baixa manutenção, sendo que a fêmea possui leite suficiente para alimentar seu filhote, o que dispensa o fornecimento de concentrado.

Marcello Holanda / Agora RN

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